November 12, 2005
Descubra mais música de que gosta
De acordo com o mito grego, Pandora era uma estátua que ganhou vida e também muita curiosidade. Os deuses do Olimpo lhe deram uma caixa de presente, mas advertiram que ela nunca deveria abrÃ-la. É claro que tudo era um plano maquiavélico feito para dar certo. Um dia Pandora abriu a caixa e dela saÃram males que atormentam a humanidade até hoje.
Você deve estar se perguntando o que isso tem a ver com música…não é ? Bem, nesse caso, tem muito a ver.
Se você gosta de tipo de música e quer conhecer mais cantores que cantam naquele estilo, ou seja, se sua curiosidade estiver tão em alta quanto a de Pandora, basta acessar essa caixa de supresas que é Pandora, um site no qual basta colocar o tÃtulo de uma música ou o nome de um cantor para descobrir muito mais do que imaginava. Quer mais ? Então lá vai: é que o serviço é gratuito ! Divirta-se !
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mp3
Todo arquivo mp3 exibe informações sobre o artista, o estilo da música, o álbum ao qual ela pertence, o ano de lançamento etc. Esses dados são o que em inglês se chama de ‘tag’. Às vezes, por descuido ou esquecimento, quando alguém transforma um CD de música em mp3 esses dados não são transferidos para o arquivo mp3. Isso também acontece quando pegamos música da rede. Há programas que buscam essas informações e outros que permitem que você edite as ‘tags’ com as informações corretas. Esse site oferece um serviço gratuito de correção automática de ‘tags’ de arquivos mp3. Basta fazer a inscrição e começar a uso o serviço, que é gratuito.
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November 6, 2005
Acorda, esquerda !
EMIR SADER
Acorda, esquerda!
Onde está a esquerda, para se opor à imensa ofensiva que a direita desatou no paÃs há alguns meses? Onde está a esquerda para defender o MST, vÃtima da violência e da perseguição judicial, policial e de bandas particulares armadas? A esquerda está gastando sua energia em lutas intestinas.
Há esquerda no governo, há esquerda na oposição ao governo. Há esquerda nos movimentos sociais e nas universidades. Há esquerda nos sindicatos e no Congresso.
Mas, cadê a esquerda? Onde está a esquerda, para se opor à imensa ofensiva que a direita desatou no paÃs há alguns meses? Onde está a esquerda para defender o MST, vÃtima da violência e da perseguição judicial, policial e de bandas particulares armadas?
Onde está a esquerda para se opor e gerar as formas de resistência à ofensiva direitista levada a cabo pela grande mÃdia privada, para formar mentes e corações das pessoas conforme seus interesses reacionários?
Onde está a esquerda para reagir à s mentiras da grande mÃdia privada sobre Cuba e sobre a Venezuela? Onde está a esquerda para reagir à altura das ofensas que gente como o banqueiro racista Jorge Bornhausen se dá o direito de proferir?
Onde está a esquerda diante da passagem de George Bush – o comandante da máquina de promover guerras e ocupações militares pelo mundo afora – pelo Brasil? Vamos deixar passar impunemente Bush pelo Brasil?
Onde está a esquerda?
Não está nas ruas, não está mobilizando o povo para lutar pelos seus direitos, não está agitando, fazendo propaganda das idéias de democracia, de soberania, de justiça social.
A esquerda está gastando suas energias em lutas intestinas – os debates são indispensáveis na esquerda, mas só deveriam participar os que, mais do que contra outras forças de esquerda, lutam contra os inimigos: a direita, o imperialismo, os monopólios, o capital especulativo. Ou está fechada nos gabinetes, nas reuniões internas, nos debates fechados.
Uma esquerda que não mobiliza, que não elabora, que não propõe, que não denuncia – constantemente, incansavelmente – não merece o nome de esquerda, porque não está à altura dos ideais da esquerda. Não está à altura dos ideais generosos que caracterizam a esquerda: solidariedade, humanismo, fraternidade.
Vemos dirigentes de esquerda só se pronunciarem sobre as CPIs, como se a situação polÃtica do paÃs começasse e terminasse ali. Como se o mundo começasse e terminasse no Congresso.
De outros dirigentes, nos perguntamos onde estão. SaÃram do PT, têm perfeitamente direito a fazê-lo, contanto que seja para construir alternativas e não para fazer disso um fim em si mesmo. Vemos dirigentes do PT envolvidos nos assuntos internos e nas acusações e nas respostas, desvinculando-se da consciência concreta do povo – imersa nos seus enormes problemas cotidianos. Distanciados das novas gerações de jovens, distantes estes também da polÃtica e dos partidos, vÃtimas inertes dos grandes monopólios midiáticos e da sociedade de consumo – a esquerda será vÃtima fácil da direita.
Onde estão os intelectuais de esquerda? Onde está o movimento estudantil? Onde está o movimento sindical? Onde estão os movimentos sociais? Onde estão os militantes de esquerda? Onde estão os partidos de esquerda? Onde estão os governos de esquerda? Onde estão os parlamentares de esquerda? Onde está a esquerda?
A crise atual não será superada sem a intervenção direta e maciça da esquerda. Com propostas de alternativas ao neoliberalismo. Com capacidade de mobilização popular. Com unificação das forças sociais e polÃticas antineoliberais. Com capacidade de geração e difusão das idéias da esquerda.
A ofensiva contra a esquerda começou contra o governo e contra o PT. Se estendeu aos movimentos sociais. A Cuba e à Venezuela. Só será poupado quem se retirar da cena ou só atacar outras forças de esquerda. Porque o sujeito da ofensiva atual é a direita – na mÃdia, no Parlamento, nas periferias das grandes cidades, no campo.
Além da vantagem moral da esquerda – pela superioridade ética de suas propostas -, a esquerda, se quiser ver essas idéias se transformarem em realidade, tem de acionar permanentemente outra vantagem: a possibilidade de mobilizar a grande maioria da população, para quem as idéias da esquerda estão voltadas.
Consciência polÃtica, capacidade de mobilização popular e de formular e propor alternativas à crise – são as chaves da esquerda. Usá-las para fazer triunfar suas idéias. Preparar uma solução de esquerda à crise, para impedir que o clima conservador atual domine 2006 e promova a volta da direita ao governo e a derrota da esquerda – de todas as forças da esquerda.
Mas, para isso, é preciso gritar: ACORDA, ESQUERDA!
Emir Sader, professor da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), é coordenador do Laboratório de PolÃticas Públicas da Uerj e autor, entre outros, de “A vingança da História”.
Este artigo foi publicado pela revista Agência Carta Maior.
November 5, 2005
PolÃgrafo
O polÃgrafo
João Francisco, irmão do ex-prefeito de Santo André cujo assassinato ainda não está esclarecido, desafiou o assessor do Presidente Lula a passar pelo teste do polÃgrafo. A menção a esse aparelho, antigo conhecido de cientistas e agências de serviço secreto, causou certa curiosidade em quem assistiu a acareação na Câmara, principalmente a um dos principais envolvidos no caso, o ex-assessor Gilberto Carvalho. A pergunta é: o que é o polÃgrafo ? Será que ele realmente pode revelar se alguém está mentindo ou não ?
O polÃgrafo é comumente chamado de ‘detector de mentiras’. Sua origem está relacionada à s análises de comportamento levadas a cabo por Carl Gustav Jung.
Segundo este site, ao aplicar o teste de associação de idéias em seus pacientes como estÃmulo, o Dr. Jung percebia determinados tipos de respostas e observava o tempo de reação deles – hoje chamado de tempo de latência. Com base nesses estudos, anos mais tarde foi inventado o polÃgrafo. Essa palavra tem raÃzes gregas (‘polis’ significa ‘muitos’ ou ‘muitas’ e ‘grafo’ significa ‘escrita’ ou ‘grafia’).
Há provas suficientes de que ele seja um método seguro de auferir a verdade ? Confira o que achei a esse respeito nesse site.
“Há alguma prova de que a máquina detecte mentiras? Bem, a máquina mede alterações das batidas do coração, pressão arterial e respiração. Quando uma pessoa mente é assumido que essas mudanças fisiológicas ocorrem de um modo que um especialista treinado pode detectar se a pessoa está ou não a mentir. Existe alguma fórmula cientÃfica ou lei que estabeleça uma correlação entre mentir e estas mudanças fisiológicas? Não. Há alguma evidência de que os especialistas detectem mentiras numa percentagem mais significativa que os não treinados usando outros métodos? Não. Não há máquina ou especialista que detectem com elevado grau de certeza se uma pessoa está a mentir ou não.”
Considere-se também o seguinte:
“A razão porque o polÃgrafo não é um detector de mentiras é que o que ele mede–mudanças nas batidas do coração, pressão arterial e respiração–podem ser causadas por muitas coisas. Nervos, angustia, tristeza, embaraço e medo podem alterar aqueles valores. O necessitar de ir à casa de banho pode provocar os mesmos efeitos. Há todo um conjunto de condições médicas que podem provocar as alterações. As afirmações de que um especialista podem distinguir as diferentes causas nunca foram provadas.”
Nos EUA, há uma entidade – a American Poligraph Association – que coordena e administra o uso do polÃgrafo. No site dessa associação, o teste é descrito da seguinte forma:
“É importante compreender o que um teste do polÃgrafo envolve. O aparelho coletará dados fisiológicos de, no mÃnimo, três partes do corpo humano. Tubos de borracha que são colocados sobre o peito e a área abdominal do examinando gravarão a atividade respiratória. Duas placas pequenas de metal, unidas aos dedos, gravarão a atividade da glândula do suor, e um algema de pressão de sangue, ou dispositivo similar gravará a atividade cardiovascular.”
No mesmo site, a associação informa que há poucos casos comprovados de eficácia do instrumento devido à dificuldade de estabelecer critérios de análise. Todavia, salienta que a eficácia do teste depende da competência do examinador.
November 4, 2005
Por que a Veja mente desesperadamente ?
O MUNDO PELO AVESSO
EMIR SADER
30/10/2005
Por que a Veja mente, mente, mente, desesperadamente?
Veja é a pior revista do Brasil. Não é um tÃtulo fácil de obter, porque ela tem duros competidores. Mas ela se esmera na arte da vulgaridade, da mentira, do sensacionalismo, no clima de “guerra fria” com que defende as cores do bushismo no Brasil.
Veja é a pior revista do Brasil. Não é um tÃtulo fácil de obter, porque ela tem duros competidores -Isto É, Época, Caras, Isto é Dinheiro, Quem?, etc., etc. Mas Veja se esmera na arte da vulgaridade, da mentira, do sensacionalismo, no clima de “guerra friaâ€?, em que a revista defende as cores do bushismo no Brasil. A revista, propriedade privada da famÃlia Civita, merece o galardão.
Todo paÃs tem esse tipo de publicação extremista, que defende hoje prioritariamente os ideais dos novos conservadores estadunidenses. Herdam os ideais da guerra fria, se especializam em atacar a esquerda, reproduzem as mesmas matérias internacionais e as bobagens supostamente cientÃficas sobre medicamentos, tratamentos de pele, de problemas psicológicos, de educação, para tentar passar por uma revista que atende a necessidades da famÃlia.
Seus colunistas são o melhor exemplo da vulgaridade e da falsa cultura na imprensa brasileira. Uma lista de propagandistas do bushismo, escolhidos seletivamente, reunindo a escritores fracassados, a ex-jornalistas aposentados, a autores de auto-ajuda, a profissionais mercantis da educação, misturando-se e mesclando esses temas em cada uma das colunas e nos editoriais do dono da revista. Uma equipe editorial de nomes desconhecidos cumpre a função de “cães de guardaâ€? dos interesses dos ricos e poderosos – que, em troca, anunciam amplamente na revista – de plantão.
O MST, o PT, a CUT, os intelectuais crÃticos – são seus alvos prioritários no Brasil. Para isso tem que desqualificar o socialismo, Cuba, a Venezuela, assim como tudo o que desminta o Consenso de Washington, do qual é o Diário Oficial no Brasil.
Só podem fazer isso, mentindo. Mentindo sobre o trabalho do MST com os trabalhadores do campo, nas centenas de assentamentos que acolhem a centenas de milhares de pessoas, famÃlias que viveram secularmente marginalizadas no Brasil. Têm que esconder o funcionamento do sistema escolar nacional que o MST organizou, responsável, entre outras tantas façanhas, de ter feito mais pela alfabetização no Brasil do que todos os programas governamentais. A Veja não sabe o que é agricultura familiar, com sua mentalidade empresarial se soma ao agronegócio, aos transgênicos e à agricultura de exportação. Ao desconhecer tanta coisa, a Veja tem que mentir para esconder tudo isso dos leitores, passando uma imagem bushiana do MST.
Mentem sobre Cuba, porque escondem que nesse paÃs se produziu a melhor saúde pública do mundo, que ali não há analfabetos – funcionais ou não -, que por lá todos tem acesso – além de saúde, educação, casa própria, a cultura, esporte, lazer. Que o IDH de Cuba é bastante superior ao brasileiro.
A Veja tem que mentir sobre a Venezuela, paÃs em que se promove a prioridade do social, com ¼ dos recursos obtidos com o petróleo irrigando os programas sociais. Que o governo de Hugo Chavez triunfou sobre a mÃdia privada golpista – as Vejas de lá -, pelo apoio popular que granjeou, quando a Veja, defasada – como sempre – já noticiava na sua capa a queda de Chavez. Depois o governo venezuelano derrotou a oposição em referendo previsto na Constituição daquele paÃs, em que os eleitores, no meio do mandato, se pronunciam sobre a continuidade ou não do governo, em um sistema mais democrático que em qualquer outro lugar do mundo.
A Veja mente sobre os efeitos da globalização neoliberal, que concentrou renda como nunca na história da humanidade, que canaliza recursos do setor produtivo para o especulativo, que cassa os direitos básicos da grande maioria da população, que não retomou o crescimento econômico, como havia prometido.
A Veja mente quando anunciou a morte do PT, no mesmo momento em que mais de 300 mil membros do partido, demonstrando vigor inigualável em qualquer outro partido, foram à s urnas escolher, por eleição direta, seus novos dirigentes, apesar da ruidosa e sistemática campanha da mÃdia bushista brasileira.
A Veja mente para tentar demonstrar que a polÃtica externa brasileira é um fracasso, quando ninguém, dentre os comentaristas internacionais, daqui ou de fato, acha isso. Ao contrário, a formação do Grupo dos 20 na última reunião da OMC, o bloqueio ao inicio de funcionamento da ALCA – lamentado pela revista bushista.
A Veja mente, mente, mente, desesperadamente, porque suas verdades são mentiras, porque representa o conservadorismo, a discriminação, a mentalidade mercantil, a repressão, a violência, a falsa cultura, a vulgaridade – enfim, o que de pior o capitalismo brasileiro já produziu. Choca-se com o humanismo, a democracia, a socialização, os interesses públicos. Por isso, para “fabricar consensosâ€? – conforme a expressão de Chomsky, a Veja mente, mente, mente, desesperadamente.
Emir Sader, professor da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), é coordenador do Laboratório de PolÃticas Públicas da Uerj e autor, entre outros, de “A vingança da História”.
Este artigo foi publicado na revista Agência Carta Maior. Parabéns a eles pela polÃtica de copyleft dada aos textos.