November 5, 2005
Polígrafo
O polígrafo
João Francisco, irmão do ex-prefeito de Santo André cujo assassinato ainda não está esclarecido, desafiou o assessor do Presidente Lula a passar pelo teste do polígrafo. A menção a esse aparelho, antigo conhecido de cientistas e agências de serviço secreto, causou certa curiosidade em quem assistiu a acareação na Câmara, principalmente a um dos principais envolvidos no caso, o ex-assessor Gilberto Carvalho. A pergunta é: o que é o polígrafo ? Será que ele realmente pode revelar se alguém está mentindo ou não ?
O polígrafo é comumente chamado de ‘detector de mentiras’. Sua origem está relacionada às análises de comportamento levadas a cabo por Carl Gustav Jung.
Segundo este site, ao aplicar o teste de associação de idéias em seus pacientes como estímulo, o Dr. Jung percebia determinados tipos de respostas e observava o tempo de reação deles – hoje chamado de tempo de latência. Com base nesses estudos, anos mais tarde foi inventado o polígrafo. Essa palavra tem raízes gregas (‘polis’ significa ‘muitos’ ou ‘muitas’ e ‘grafo’ significa ‘escrita’ ou ‘grafia’).
Há provas suficientes de que ele seja um método seguro de auferir a verdade ? Confira o que achei a esse respeito nesse site.
“Há alguma prova de que a máquina detecte mentiras? Bem, a máquina mede alterações das batidas do coração, pressão arterial e respiração. Quando uma pessoa mente é assumido que essas mudanças fisiológicas ocorrem de um modo que um especialista treinado pode detectar se a pessoa está ou não a mentir. Existe alguma fórmula científica ou lei que estabeleça uma correlação entre mentir e estas mudanças fisiológicas? Não. Há alguma evidência de que os especialistas detectem mentiras numa percentagem mais significativa que os não treinados usando outros métodos? Não. Não há máquina ou especialista que detectem com elevado grau de certeza se uma pessoa está a mentir ou não.”
Considere-se também o seguinte:
“A razão porque o polígrafo não é um detector de mentiras é que o que ele mede–mudanças nas batidas do coração, pressão arterial e respiração–podem ser causadas por muitas coisas. Nervos, angustia, tristeza, embaraço e medo podem alterar aqueles valores. O necessitar de ir à casa de banho pode provocar os mesmos efeitos. Há todo um conjunto de condições médicas que podem provocar as alterações. As afirmações de que um especialista podem distinguir as diferentes causas nunca foram provadas.”
Nos EUA, há uma entidade – a American Poligraph Association – que coordena e administra o uso do polígrafo. No site dessa associação, o teste é descrito da seguinte forma:
“É importante compreender o que um teste do polígrafo envolve. O aparelho coletará dados fisiológicos de, no mínimo, três partes do corpo humano. Tubos de borracha que são colocados sobre o peito e a área abdominal do examinando gravarão a atividade respiratória. Duas placas pequenas de metal, unidas aos dedos, gravarão a atividade da glândula do suor, e um algema de pressão de sangue, ou dispositivo similar gravará a atividade cardiovascular.”
No mesmo site, a associação informa que há poucos casos comprovados de eficácia do instrumento devido à dificuldade de estabelecer critérios de análise. Todavia, salienta que a eficácia do teste depende da competência do examinador.